quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

FACÇÃO INVESTIU EM TIME DE FUTEBOL

Facção envolvida em massacre no AM investiu R$ 320 mil em time, diz PF

manaus compensão (Foto: GloboEsporte.com)Os crimes envolvendo a facção Família do Norte começaram muito antes das chacinas que deixaram 64 presidiários mortos em Manaus nos primeiros dias de 2017. Prova disso é o Manaus Compensão. Patrocinado pela facção e registrado na Junta Comercial, Federação Amazonense de Futebol e até mesmo na CBF, em 2009, a equipe, atualmente extinta, chegou a disputar três edições do campeonato estadual. Foi campeão da Série B no ano de estreia. Em 2011, com escassez financeira, foi obrigada a abandonar o futebol profissional.
As provas – de que um dos meios de lavagem de dinheiro da facção era o Compensão – foram reunidas pela poolícia, por meio da investigação denominada ”La Murrala”, apenas seis anos após a prisão de Zé Roberto e quatro depois que o Manaus Compensão fechou as portas
Fundada no dia 24 de julho de 2009, um mês antes da prisão de José Roberto Fernandes Barbosa, conhecido como “Zé Roberto da Compensa” e líder da FDN, a Águia chegou a receber R$ 320 mil reais para disputar uma única competição amadora, investimento fora da realidade até mesmo para o futebol profissional do Amazonas. O Nacional-AM, considerado o time mais bem estruturado do estado, costuma ter folha de R$ 300 mil em ano de Série D.
No ano de estreia, em 2009, a equipe sobrou na divisão de acesso do Amazonense. Com a folha salarial muito mais alta que os adversários, o resultado – no mínimo, diferenciado – não causou surpresa: em 10 jogos, o time obteve sete vitórias, um empate e apenas duas derrotas. Também pudera: regularizado, não poupou dinheiro em busca do acesso. Contratou o artilheiro de 2009 do Amazonense da Série A, Branco, do Nacional, entre outros.
Em 2010, quando estreava na elite, o dinheiro já estava escasso, e o clube lutou contra o rebaixamento. No término da competição, o Compensão assegurou o oitavo lugar, com 16 pontos em 13 jogos disputados (quatro vitórias, quatro empates e cinco derrotas). Naquela temporada, ASA e Manicoré caíram.
A manutenção na Série A não foi suficiente para que a direção conseguisse investimento para 2011, e o clube pediu licença para a Federação Amazonense, sendo automaticamente rebaixado à B. Em 2012, houve conversas até para mudar de nome (Zona Leste Futebol Clube) e tentar, novamente, inscrição na FAF, mas a entidade máxima do futebol local vetou porque era preciso ficar um ano fora de torneios após o pedido de licença.

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